domingo, 25 de outubro de 2009

Dia Chuvoso

O dia lá fora é chuvoso, são 18 horas mas a claridade ainda é presente, graças ao horário de verão. Mas isso não vem ao caso. Chove lá fora, decido fazer algo da minha vida. Ignoro a chuva, ponho meu capuz e saio para andar por aí. A medida que vou andando, o sol vai também andando em direção aos leitos montanhosos, e se esquiva atrás de prédios, deixando apenas rastros luminosos no meio de tanta escuridão que está por vir. Com a chuva, parece que a noite vem mais rápido. E com a noite parece que a chuva aumenta a cada pingo que se esparrama no chão. Ando em calçadas desertas, da onde os desprotegidos sairam a busca de refúgio. As luzes amareladas dos postes delineam os pingos em forma de triângulo. Olho pra cima e vejo somente pingos, correndo em minha direção, mas com tudo isso, sigo o meu rumo. Resolvo me sentar em um banco de aspecto colonial, em uma praça deserta, porém que transmitia um ar de aconchego, de calor, naquela noite fria e chuvosa. Fico lá, horas sentado, minha pele já começa a enrrugar com tantos pingos que já bombardearam-a. Rugas, rugas que a cada dia aumentam, rugas que representam uma gravura de mais um dia vivido, mais um dia que talvez não possa ter sido o melhor, mas concerteza é importante. Quando reparo, vejo alguém tão enrrugado quanto eu sentando-se ao meu lado. De uma maneira um tão quanto esquisita nos apresentamos baixo aquela chuva, mal podendo entender o nome um do outro, de tão barulhentos os pingos. Não nos deixando abalar, continuamos a conversar naquele banco colonial. A medida que iamos conversando, a chuva aumentava, e o céu escurecia, e os pensamentos corriam cada vez mais forte e mais rápido. Até que repentinamente, algo tão inesperado acontece. Mais inesperado do que o surgimento daquela pessoa ao meu lado nesse dia chuvoso. Num piscar de olhos, me aproximo e a beijo como se fosse um lindo dia de sol. Os pingos parecem ter congelados no ar, como se tivessem parado para observar o beijo baixo aquela tempestade. Toda aquela conversa antes deu a impressão de que eu conhecia a tal pessoa, uma linda mulher de olhos verdes, a bastante tempo. Talvez até de uma vida passada, então continuamos com a conversa. Alguns minutos depois, uma grande nevôa invade a praça, e faz com que tudo se torne difícil de enxergar. Quando finalmente consigo ver alguma coisa concreta, realizo que a linda mulher havía simplismente desaparecido. Tento entender, e até mesmo achá-la baixo aquela chuva, mas logo acabo desistindo. Volto pra casa, pensando como aquilo tinha acontecido, passo pelo mesmo poste, que desta vez piscava de forma ritmica, quase assustadora. É então quando deixo de pensar na linda mulher e vejo que nunca tive uma conversa tão boa baixo ciscunstancias tão ruins. Talvez o simples fato de ter acontecido o que aconteceu já valheu a pena, então já não havia necessidade de que acontecesse mais nada. Então ela simplismente se foi, naquele dia chuvoso, ela veio, e se foi.

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