domingo, 30 de maio de 2010

O ontem morreu.
O amanhã ainda nascerá
O hoje nasceu do ontem, assim como o amanhã nascerá.
O único que existe é o hoje.
Viva hoje, porque amanhã ele já morreu.
Não se arrependa do ontem, pois ele já morreu.
Não se preocupe com o amanhã, pois ainda não nasceu.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Sei lá.

Que preguiça de ter que fazer alguma coisa, que tédio de não estar fazendo nada.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Otis Redding, my friend.

"You've got to love her
Squeeze her
Don't tease her
Make love
Hold her tight
Just, just try a little tenderness
That's all you gotta do
You've gotta hold her right

One more time
You've got to love her
Hold her
Don't tease her
Never leave her
Make love to her
Hold her, man

Try a little tenderness."

domingo, 18 de abril de 2010

Céu de Saigon

Nunca nada fez sentido.
Nem nunca fará.
Pois quando fizer perderá toda sua magía.
A base de impulsos, tudo vai e volta.
Tudo é estabelecido, sem pensar muito no que vai acontecer.
Acontecerá o que for.
Só se sabe que nunca se entenderá.
Nunca foi pra se entender.
Não se quer entender tão pouco.
Assim como o céu de Saigon.

Que nunca fez sentido algum, mas que parecia fazer todo sentido do mundo.

sábado, 17 de abril de 2010

Eduardo e Mônica.

Como diz o título, é uma história à la Eduardo e Mônica.
Será?
Eduardo, confuso, quer entendê-la.
Seu perfume ainda está entranhado em sua camiseta.
Seu rosto está impresso em sua memória.
Não quer sair de lá.
Nunca.
Ele queria mesmo poder usar a chave e entrar.
Mas ela parecia discordar.
Ela parecia opor a si mesma.
Mas quem ira dizer?
A razão das coisas feitas pelo coração parecia se esconder baixo preocupações.
Ele, assim como Mônica- ou outro nome - tinha medo.
Medo de se deixar levar, medo de deixar tudo acontecer.
Independente da vontade que batia forte no peito.
Independente de tudo, ele ainda quer que Mônica faça parte de sua vida.
Mônica também quer, ele supõe.
Sua aflição o faz se decepcionar, talvez com algo fantasioso pré meditado.
Não é outra qualquer.
É Mônica.
É ela.
Que apesar de terem tudo diferente.
Tem tudo igual.
Seja o tempo que for, tudo será igual.
Tudo será diferente.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O gramado ao sol.

Quero sumir as vezes, as vezes não, é quase sempre que eu me encontro pensando nessa possibilidade. Uma possibilidade que não tem hora nem estado emocional. Estou triste, quero sumir, para refletir, para chorar onde ninguém possa ver o escorrer das minhas lágrimas pelo meu rosto barbado, poder correr, e como se fosse um espásmo, me atirar, e afundar no sofá, gritar, cantar, transformar o que eu sinto em algo que os outros possam perceber, mas que ninguém nunca perceberá. Quando estou feliz, quero sumir, para sorrir, correr, e me atirar, e afundar no sofá, e gritar, cantar, transformar o que sinto em algo que os outros possam perceber, que todos tentem sentir o que eu sinto. Seja pela felicidade ou tristeza, tenho a necessidade de sumir. Todos temos. Todos temos emoções, todos nós queremos correr com o intuito de canalizar somente o que queremos sentir, e o sumir físico torna-se uma alavanca para que possamos sumir psicológicamente para onde quer que seja, seja feliz ou triste.

sábado, 10 de abril de 2010

Zé Dom

Conheci a José Donato, mas conhecido como Zé Dom, um homem já pela sua terceira década, na verdade já estava nos finalíssimos de sua terceira década. Morava em um apartamento simples, que todas as segundas-feiras ecoava o som frio e metálico de um emaranhado transitacional, cuberto de luzes, motores e fumaça, como se o som já não fosse suficiente. No meio do caos, Zé saia de casa sempre a pé, com um velho sapato de couro já marcado, indicando o uso intenso. Complementava com uma calça jeans em estado razoável, um cinto para combinar com o sapato, uma blusa social desabotoada deixando à mostra seu pequeno cordão de ouro, com um pingente de cruz, regalado pela sua avó já falecida. Nesse dia ocasionalmente, Seu Dom vestia também uma jaqueta de couro, fazendo juz ao sapato, estando tão desgastada como o tal. João chegava ao trabalho religiosamente às nove da manhã, e voltava para casa somente após as seis da tarde; um emprego de carga horária leviana, ainda mais com as corriqueiras saidas de Zé até o térreo do prédio, para poder fumar seu cigarro e ter um tempo para si mesmo. Dom Dom era um fumante de longa data. Tinha começado a fumar aos 17, majoritáriamente por influência das amizades. Lembra-se que os cigarros, de tanto fumados, já serviam como um relógio, como uma medida de tempo, estabelecendo qualquer saida para a rua após um cigarro, ou dois. Como se dissessemos:
- "AH, depois desse cigarro a gente vai."- Ou até;
- "Deixa só eu acabar este daqui e a gente sai."
Mas esse seu vício nos dias de hoje já vira a mostrar algumas evidências de um verdadeiro fumante. Seus dentes por mais que escovados conferiam uma aparência cinzenta, e seus dedos amarelados, causa do intensivo banho de nicotina esparramado a cada vez que acendia-se o isqueiro.
Regressava à casa, onde fumava um pouco mais, e se sentava em uma antiga poltrona da década de oitenta. Ligava a televisão e, em um perfeito timing buscava sua cerveja gelada na cozinha enquanto a televisão começava a ligar. Sentado de novo, degustava sua cerveja como a última que tomara, mas não dava muita importância à televisão, já que estava passando um bando de merda mesmo, segundo ele.
De repente, Zé Dom sente uma forte fisgada no coração, e luta para se levantar, mais não consegue, se joga na poltrona e perde todas suas forças deixando com que a garrafa de vidro escuro caisse no chão, derramando cerveja, já que a sua morte não tinha derramado sangue.
Foi uma morte por acaso, que só vieram a descubrir uns dois días depois. Zé morreu ao som de Originais do Samba, ouvindo sua musica predileta; Falador passa mal, que por coincidência passava o clipe na televisão no momento em que fulminava-se o falecimento. Uma morte um quanto paradoxal. Mas, para falar a verdade, ninguém sabe o momento em que se morre. Nós só temos certeza de uma pequena coisa na vida. Não sabemos o que seremos, o que faremos, como viviremos amanhã, só sabemos que pode ser um dia qualquer, em um lugar qualquer, ao som de qualquer coisa que vamos morrer. Que no caso de Zé Dom foi uma segunda-feira qualquer.